Buscar
  • Tiãozinho Safrater

Sonho que se transformou em REALIDADE

Repleta de adjetivos e qualidades; carismática, cativante, amorosa, elegante, firme, dedicada, persistente, resiliente, prendada, mãezona. Conheça a história de Thereza Zambo de Medeiros na Safrater.



Caros leitores e leitoras, na 1ª edição do Tiãozinho News de 2022 apresentamos a Jornada Safrater 50, uma série de ações que vão marcar as comemorações do Jubileu de Ouro da Safrater. Para isso, fomos resgatar as histórias que marcaram essa trajetória, aqueles personagens que foram os idealizadores dessa obra e que não pouparam esforços para ver o sonho se tornar realidade. Regis Lang inaugurou essa série de histórias e nos emocionou com seu relato. Na segunda parte, que você acompanha agora, fomos ouvir uma personagem repleta de adjetivos e qualidades; carismática, cativante, amorosa, elegante, firme, dedicada, persistente, resiliente, prendada, mãezona, entre tantos outros que não cabem aqui nessas linhas. Thereza Zambo de Medeiros é uma mulher que faz valer a frase: “Por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher.”


A Safrater nasceu do sonho de um pequeno grupo de pessoas que foram amparadas e que a partir desse acolhimento despertaram para a necessidade do trabalho assistencial na ajuda a outras pessoas menos favorecidas. Antes disso, já havia um plano muito maior para que essa obra chegasse aonde chegou, mas para saber toda essa história convidamos você a ler o livro O Caminho da Casa de Cristal, de Tânia Redigolo. Aqui, vamos nos atentar ao relato de Thereza Zambo de Medeiros, que faz parte desse grupo que sonhou a Safrater.


Dona Thereza começa lembrando de Odair Cretella de Oliveira e Agenor de Mello Pegado, ambos ligados às áreas de assistência social, e que ajudaram, junto com Regis Lang, entre outros, a fundar na Vila Campestre a Creche Tiãozinho no Natal de 1982.


Com a creche inaugurada e em funcionamento, cada vez mais se tinha acesso aos desafios e carências daquela comunidade. Para superar esses desafios, Dona Thereza lembra de seu marido, Milton de Medeiros. Ambos participaram em 1971 da fundação da Casa do Caminho e posteriormente da Safrater. Milton era um grande empreendedor e administrador, extremamente firme, modesto e bem-intencionado, ajudou nas maiores conquistas da obra, na aquisição dos primeiros imóveis e foi presidente das duas casas. “Era um homem de visão e na sua gestão focalizou a criança, e consequentemente a família”, diz Dona Thereza.


Esposa dedicada, participava ativamente na creche ajudando no que era preciso. Milton se destacava por sua convicção e poder de convencimento, e a causa da Safrater lhe dava propriedade para conseguir muitas doações importantes para a creche, uma delas era no CEASA SP.


Acordavam de madrugada, iam até o CEASA com uma Kombi azul da Safrater, muito antiga, que segundo Dona Thereza tinha um furo no assoalho, abaixo do motorista, por onde se via o asfalto correr abaixo dos pés.

E lá iam eles para pegar as doações, depois voltavam e organizavam tudo para levar para a Safrater.


Dona Thereza dirigia essa mesma Kombi buscando doações em padarias e até em uma confeitaria famosa que doava doces para a creche. Quando ela chegava com as doações, sempre era motivo de festa com a criançada, e não era para menos, cozinheira de mão cheia. Dona Thereza toda vez que estava na creche fazia um cardápio diferente. Ela conta que ia em uma feira que acontecia em frente ao estádio do Pacaembú, com a Kombi azul, e lá havia uma comerciante que vendia frangos e sempre ajudava com carcaças e miúdos. Ela sabia que essas doações iriam para a creche e assim caprichava.


Dona Thereza então voltava para a creche, assumia o posto na cozinha e preparava uma torta de frango especial, com todo amor, e a criançada adorava. Outra receita que ela conta que fazia, nos surpreende pela criatividade e é uma lição contra o desperdício; nos dias que tinha melancia, cortava-se a parte vermelha que as crianças comiam, a parte branca da melancia Dona Thereza raspava bem, aproveitando tudo, depois, com folhas de uma figueira que colhia da casa de uma amiga, fazia uma calda com açúcar e misturava tudo, aquilo virava um doce brilhante e transparente irresistível para as crianças.

Ela segue contando que foi nessa gestão também que eles criaram na Safrater o Aniversariante do Mês, uma festinha especial para as crianças que faziam aniversário. Tinha bolo, presentinho, parabéns, confraternização, apresentação de mágicos, malabaristas, momentos únicos que muitas famílias nunca haviam proporcionado às crianças.



Foto dos tempos do Aniversariante do mês, uma festinha especial para as crianças que faziam aniversário. 


Milton foi um grande jogador de futebol pelo Palmeiras, ele era sócio do Clube de Campo do Time e eventualmente conseguia levar uma turma da creche para passar o dia lá, outra vez era no Zoológico e até para praia chegaram a levar as crianças, pegavam autorização das famílias, alugavam ônibus e era um evento inesquecível para todos. Dona Thereza conta isso com os olhos brilhando e um sorriso saudoso. “Muitas dessas crianças hoje são pais e mães, e tem seus filhos na creche, esses momentos certamente foram determinantes na vida dessas pessoas”. Além de Milton, muitos outros trabalhadores são citados por Dona Thereza. Trabalhadores exemplares que possibilitaram a construção de uma imagem de credibilidade e segurança para os assistidos e também para os parceiros nesses primeiros anos de Safrater.




Crianças do Núcleo na década de 80

O trabalho da creche estava sendo reconhecido e as necessidades eram cada vez maiores, Milton seguia fazendo parcerias e convocando a todos para a necessidade de ampliação. As crianças que eram assistidas pela Creche Tiãozinho tinham irmãos e irmãs que acompanhavam as suas rotinas e era nítida a transformação daqueles que frequentavam a creche, tanto as crianças quanto as famílias eram orientadas ao cultivo da harmonia, dos princípios de moral e ética no entorno da família.


“O sonho do Milton era pegar a criança no ventre materno e levar até a faculdade, e ele trabalhou muito para isso.”

Com isso, logo surgiu a necessidade de atender também a crianças maiores, até porque depois que as crianças cresciam e não podiam mais estar na creche, voltavam a estar expostas às vulnerabilidades da comunidade. Milton então começou a se preocupar com essa faixa etária e logo alugaram uma casinha perto da creche, um sobradinho que tinha como finalidade acolher as crianças que saíam da creche, dando continuidade aos cuidados e também oferecendo o reforço escolar. Lá, seriam atendidas crianças até os 14 anos aproximadamente. Estava ali plantada a semente do Núcleo Tiãozinho que acabou sendo inaugurado em 1985.


Dona Thereza recorda: “O sonho do Milton era pegar a criança no ventre materno e levar até a faculdade, e ele trabalhou muito para isso”. Sua personalidade de empreendedor determinado não media esforços até conseguir recursos para manter as conquistas e seguir avançando para atender cada vez mais crianças e jovens que mais precisavam. Eram rifas, eventos, empenho nos contatos para conseguir doações, tudo isso com um time de pessoas que acreditava e trabalhava para realizar esse sonho que se tornou de todos.


Com incomensuráveis esforços, esse sonho foi se concretizando, o Grupo de Gestantes dava amparo espiritual e material às mães inexperientes, elas recebiam enxovais feitos com todo amor por trabalhadoras dedicadas, entre elas a própria Dona Thereza e a saudosa Assumpta Maria Russo Rizzatti, entre tantas outras que faziam chegar a essas novas mamães muito mais que um enxoval, mas principalmente a esperança de um futuro melhor para elas e para seus filhos e filhas. E esse trabalho com os enxovais é feito com o mesmo amor até hoje!




Grupo de Gestantes

Para que as mães pudessem continuar a trabalhar, muitas vezes no sustento de toda a casa, podiam contar com a Creche Tiãozinho nos cuidados com os seus filhos e filhas. E para manter esse caminho seguro na formação do ser integral o Núcleo Tiãozinho acolhia e orientava na educação das crianças e dos pré-adolescentes.


Dona Thereza faz uma pausa, respira fundo e fala em tom épico: “Esse trabalho é um trabalho de amor, é como disse Jesus - amar o próximo como a ti mesmo, você está dando a oportunidade para o outro crescer com dignidade”. Milton trabalhou na obra até quando pode, dando o impulso necessário para aquele período. Dona Thereza conta que cada um tem seu tempo e é preciso abrir espaço para outros, é preciso a renovação, com novas ideias, acompanhando as necessidades de cada tempo.




Núcleo Tiãozinho, vislumbrando desde muito tempo o Ser Integral.


“A vida passa muito rápido e hoje o que nós damos valor muito grande, daqui a pouco não vai ter o mesmo valor, agora tem uma coisa, o amor, esse nunca vai perder o valor, eu penso assim, e o que a gente plantou de bom não vai morrer nunca!”, diz.


A combinação de simplicidade, determinação, empreendedorismo e outros atributos singulares de Milton de Medeiros inspiraram outros personagens fundamentais para essa obra, que deram continuidade aos sonhos do cuidado na formação do Ser Integral, mas essa história nós vamos contar na 3ª parte desta série na próxima edição. Não perca!

6 visualizações0 comentário