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  • Tiãozinho Safrater

Daniel Martins Sanchez

Sua fé foi inabalável e suas obras e caridade enaltecedoras e incontáveis. Foi o exemplo da prática da caridade e da fé.

Dando continuidade a rica e emocionante história da Safrater, podemos dizer que seus fundadores foram corajosos, determinados, lutadores, e acima de tudo tinham muita fé “de que tudo daria certo”, pois confiavam profundamente na providência divina. Chegamos a mais um capítulo que vem contando de forma muito peculiar a história desses 50 anos da Safrater. Fomos resgatando personagens que protagonizaram essa trajetória trazendo o olhar pessoal, sem se apegar a uma cronologia, mas sim a fragmentos preciosos que trazem a tona qualidades humanas que nos inspiram. Nesta edição quem nos brinda com muita emoção falando de um desses inesquecíveis gestores é Virgínia Gonçalves.


Daniel Martins Sanchez foi um desses destemidos gestores e atuou de 2001 à 2018 oficialmente, porém já atuava nos bastidores desde 1990 como conselheiro, tesoureiro e diretor administrativo. Depois que o grandioso senhor Milton deixou a gestão da entidade, os fundadores passaram a se rodiziar na direção da entidade, cada um fazendo o seu melhor para manter os trabalhos já consolidados.

Eram tempos difíceis, e a obra não crescia, mas as necessidades da comunidade, ao contrário, continuavam aumentando.


Vamos dizer que os gestores, lá do plano espiritual, resolveram dar uma mãozinha e conseguiram agregar novas pessoas ao grupo já existente. Nessa leva, surgiu o Daniel.



Pessoa


Vamos iniciar falando um pouco sobre a pessoa Daniel, quem foi, sua vida, e depois falaremos sobre as conquistas que ajudou a realizar para a Safrater.

Daniel era Economista e servidor público no Banco Central, onde comandava a divisão de análise de riscos, e era muito admirado por seus pares, seja pela inteligência, humanidade e generosidade.


Daniel e Aparecida

Como profissional, dizia que se levasse em consideração sua área de atuação, jamais faria o que fez na Safrater, pois assumia muitos e altos riscos. Ingressou na Casa do Caminho em 1984, aos 33 anos, trazido pela esposa, Aparecida Van der Meer Sanchez, que era espírita e voluntária, e que desencarnou cerca de 10 anos depois, com apenas 45 anos, vítima de câncer, deixando-o viúvo com 3 filhos, Zila, Igor e Raíza, com apenas 4 anos. Apesar de cuidar sozinho dos filhos, com muito amor e dedicação, atuava profissionalmente no BC e como voluntário na Safrater, com muita disposição, não medindo sacrifícios, seja de sua hora de alimentação, lazer, ou mesmo de sono. Muitas férias e noites sem dormir para dar conta de todas as atividades de leitura, análise, planejamento e ações na Safrater. Sempre o primeiro a chegar e o último a sair.


Daniel atuou por 34 anos como voluntário em diversas funções, não escolhendo trabalho, iniciando como visitador social.


Daniel e Virgínia

Somente em 1996 conheceu sua segunda companheira, Virginia Gonçalves, que o acompanhou até seu desencarne. Também voluntária da Casa do Caminho e Safrater, passou a ser seu braço direito em todas as atividades que desempenhou ao longo de sua gestão. Atuou por 34 anos como voluntário em diversas funções, não escolhendo trabalho, iniciando como visitador social. Nunca pleiteou um cargo, sempre dizia que os fundadores é que deveriam estar à frente do que fundaram, mas foram os mentores, através dos médiuns, que o escolhiam e ele foi aceitando e oferecendo sempre o seu melhor.


Tinha a impressão que estava atrasado para realizar tudo que o plano espiritual lhe havia determinado, por isso negligenciava tudo para poder dar conta de tantas responsabilidades.



Daniel, A.Dias, Archanjo, Enio

Comentava que os tempos eram chegados, que “não bastava não fazer o mal, mas que era preciso fazer o bem no limite de suas forças”. E assim o fez enquanto esteve encarnado. Aceitou desafios, mas não estava sozinho. Aglutinou muitas pessoas de boa fé, corações bons e dedicados, que doaram o seu melhor. Eram pães e peixes, que se multiplicaram e juntos puderam alimentar o corpo, a alma e iluminar os caminhos de milhares de assistidos da Safrater.


Quem teve o prazer de conviver com ele, principalmente os amigos mais chegados, não medem elogios e relatam como era amoroso, otimista, alegre, motivador, ativo, compreensivo, bom ouvinte, generoso, brincalhão, com coração imenso, muito inteligente, inspirado, criativo e trabalhador. Era o conselheiro que todos buscavam para auxiliar na solução de problemas de qualquer ordem, fossem material, emocional ou espiritual. Nas palestras sempre muito requisitado. Sacrificava suas refeições para dar atenção a quem lhe procurasse necessitado de orientação espiritual.



Daniel entre os valorosos trabalhadores

Certa vez, era necessário passar um produto para retirar um verniz de proteção que havia no piso de ardósia do salão e recepção. Haviam colocado para proteção dos locais com fluxo mais intenso. Como era um serviço que a Casa não tinha verba para realizar, um dos construtores comprou o produto, e Daniel, Virginia, Rafael se dispuseram a realizar a tarefa em um domingo à tarde. Assim o fizeram, trabalhando intensamente até o cair da noite.


Porém Daniel não tinha bota plástica, e realizou o serviço utilizando seu mocassim. Quando estavam retornando para casa, sentiu o chão. Para sua surpresa, o ácido havia corroído o solado e ele estava literalmente descalso. Assim caminhou até em casa se divertindo com a situação. Para ele não havia tempo difícil. Tudo era fácil. Estava muito à frente de seu tempo. Visionário, sabia o que precisava fazer para atingir os objetivos traçados, e motivava a todos para que juntos chegassem lá. Adorava transformar qualquer momento em comemoração. Após os eventos, sempre tinha um momento para comemorar com os amigos que ficavam até o final do evento, quando brincava, jogava conversa fora, e tomava uma cervejinha para relaxar. Qualquer saída, tinha que brindar, tomar um café, e relaxar e curtir aquele momento presente.


“A fé sem obras é morta e for a da caridade não há salvação.”

Gestor 1ª Etapa da Missão


Podemos dividir em 3 etapas sua missão, ou gestão. A primeira foi de manter o que já existia e colocar a casa em ordem. A segunda foi de ampliação de quantidade e qual-idade do que já existia. E a terceira, a concretização do plano diretor que previa uma escola profissionalizante, ou seja, a construção do CETECC.

Por volta de 1995, ele já atuava como tesoureiro na Safrater na gestão do Odair, era palestrante, instrutor e visitador social, e na Casa do Caminho, também colaborou na Gestão de Assunção D´Lucca, uma grande mulher que levou a cabo a missão de construir a nova Sede. Daniel coordenou parte dessa construção, pois já estava em andamento quando assumiu a tarefa, implementando o mezanino, alterando o fluxo da escadaria, e com isso dando espaço para banheiros no térreo e sub-solo; mais tarde fechando e cobrindo a cobertura do prédio, que hoje é o último an-dar, além da criação da área de convivência com Cafeteria, Livraria, Bazar e na época Biblioteca e Grupo Jesus. Anos depois, ajudou na reforma da Casa da União, e coordenou a construção do espaço da nova Biblioteca e a ligação da Casa do Caminho à Casa da União, sugerindo a ligação através da escadaria. Os engenheiros brincavam com ele e diziam que ele era o engenheiro das pirâmides do Egito, pois sempre tinha uma solução engenhosa para as dificuldades que surgiam.



Desenvolveu a área de comunicação e divulgação, tan-to meio físico como digital. Introduziu os periódicos “O Caminho” e “Notícias do Tiãozinho”, este periódico, que deixou de elaborar em março de 2017, por conta da doença, e que se mantém por outras mãos até hoje. Na época, escrevia todas as notícias e com ajuda do Enio e da Ivani, desenvolviam o Boletim Informativo com o objetivo de divulgar para todos os frequentadores as realizações, bem como prestar contas aos doadores e membros associados da aplicação dos recursos arrecadados.


Cada elaboração do jornalzinho, era motivo de encontro com os amigos, almoço, jantar, sempre conseguia transformar mo-mentos de trabalho em momento prazerosos.


Pensava que para realizar o ousado plano diretor deixa-do pelos fundadores, precisava de recursos, que na época eram escassos. Então visava deixar a obra mais visível e para isso precisava divulgar as realizações e sensibilizar mais e mais pessoas. Sabia que obra pequena não é visível, mas quanto mais cresce, mais visível fica e atrai mais recursos e torna-se exponencial.


Algumas fontes foram introduzidas: cupom beneficente; campanhas específicas para captação de recursos para manutenção da obra como “NFPaulista”, “Seja um Padrinho”, “Eu Ajudo a Construir”, “Eu ajudo a Concluir” entre outras. Criou o Breshopping, Sebo e Bazar Tiãozinho, pensando na manutenção das obras.

Todos os sábados, no Bazar Tiãozinho, aproveitava para conhecer melhor os moradores, que adoravam passar por ele com imensas sacolas cheias. Todos brincavam que ele tinha mel, que atraia todo mundo. Mas descobrimos que o segredo, era que ele sempre dava descontos maiores que os outros voluntários. Além de ser bom ouvinte das histórias dos frequentadores, que sempre pediam para colocarem seus filhos na obra.


A divulgação da doutrina espírita era uma de suas prioridades, pois é a fé raciocinada que faz com que haja a com-preensão das palavras de Jesus, assim pensava. E com esse intuito, trouxe para a Casa a “Feira do Livro”, em 1999, que coordenou por muitos anos.


Na primeira edição, houve muitas situações inusitadas. Lançávamos os livros no sistema de vendas durante as madrugadas. No último dia antes da feira, a energia acabou as 3h da madrugada na Casa e tivemos que parar. Mas não acabou nas casas vizinhas da mesma quadra e de outras quadras. No outro dia era a abertura da feira. Apesar do quadro de força ser um só, antes de abrir a feira no subsolo, Assunção se apresentava grandemente no piso térreo que estava todo iluminado, e tudo corria bem, mas a energia elétrica do subsolo caiu e nada funcionava. Foi a maior correria, e quando voltou, sem que ninguém entendesse nada, os arquivos que ficamos fazendo ao longo das madrugadas, haviam se perdido. Tivemos que iniciar na mão o lança-mento das vendas. Foi um desafio que foi sendo vencido ao longo dos dias, até conseguirmos lançar tudo novamente. Mas o ânimo não diminuiu.


Também ampliou eventos temáticos introduzindo a Festa Junina e trazendo parcerias para melhorar a qualidade dos eventos e aumentar a periodicidade.

As primeiras edições foram realizadas no Clube Adamus de Volei, e o senhor Manuel, zelador da Creche, um homem muito experiente, tinha que fazer uma instalação elétrica e hidráulica paralela para que tudo funcionasse durante a festa. Era o anjo da guarda dos eventos. Fazia tudo funcionar. Grande e saudoso amigo.


Depois passou a ser realizada no Clube Militar, com excelente infraestrutura. A equipe era muito maior e se conseguiu realizar muito eventos inesquecíveis.


Um grande desafio, a concretização do plano diretor que pre via uma escola profissionalizante, ou seja, a construção do CETECC.

Quando o CETECC ficou pronto, pode levar todos os eventos para o espaço. Sempre com a intenção de divulgação, confraternização e manutenção da Obra. Quando Odair Cretella de Oliveira assumiu a presidência da Safrater, por volta de 1990, o convidou para ser o 1º Tesoureiro em sua gestão. Eles tinham uma ligação muito forte espiritualmente. Daniel o tinha como um pai. Muito amigos, muito queridos.


Nesse período, também colaborou como conselheiro na reforma estatutária, tomando como norte, o que Milton de Medeiros desenvolveu em sua gestão. Com isso o conselho decidiu profissionalizar a secretaria, administração, finanças e manutenção da Casa, o que levou 10 anos para ser consolidado. Deixando o comando ainda com voluntários, à exemplo do SAFRATER.


Desenvolveu a área de voluntariado, criando a primeira diretoria de voluntariado mais tarde, que hoje é fonte de novos recursos e muito bem administrada; hoje já informatizada, com cadastro de voluntários digitalizado. Introduziu e ministrava as reuniões de captação de voluntários, junto com Régis e a Equipe da Diretoria de Voluntariado. Ministrou treinamentos de voluntários em geral e específicos para a Feira do Livro e Festa Junina no início das atividades do setor.


Deixou muitas marcar de amor e doação em todos os setores da entidade, engrandecendo uma obra que por si só já era muito nobre.


Continua na próxima edição.


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