A costura faz laços
- Tiãozinho Safrater

- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
CETECC


Começamos o ano conceituando e refletindo com os jovens sobre o que nos liberta, como conquistamos a tão sonhada liberdade e se ela é absoluta ou limitada. Pela regra de ouro: “Fazer ao próximo o que gostaríamos que fizessem conosco” pode dar um outro sentido à liberdade e nos levar à conclusão de que vivemos em sociedade, que a raça humana necessita de relações, somos interdependentes e que precisamos e podemos estabelecer inúmeras redes de apoio. Conhecer e utilizar essa rede é um ato de cidadania. A nossa intenção era apresentar as unidades e os trabalhos que a Safrater realiza para a comunidade de Americanópolis.
A história nos conta que tudo começou com a escuta da população na região em 1970: o que vocês precisam? As mães responderam:
- De uma creche pois quero voltar a estudar, a trabalhar, mas não tenho com quem deixar meus meninos.
Ela queria a liberdade para buscar o sustento, precisava de uma rede de apoio. Nasce a creche Tiãozinho.

No primeiro semestre de 2025 com os jovens do Cetecc, falamos sobre os sonhos dos adolescentes interrompidos quando a gravidez precoce se torna uma realidade. Eles fizeram um teatro para vivenciar esse papel de pais adolescentes, as responsabilidades e o que seria ser chamado para a vida adulta em tão tenra idade.
Quando eles foram visitar a creche, conhecer como funcionava a estrutura do serviço oferecido, conseguiram fazer reflexões maduras sobre as escolhas que fazem todos os dias e a beleza de ter no bairro um apoio tão importante e seguro para as famílias deixarem seus queridos filhos.
No segundo semestre, oferecemos a oportunidade de conhecer o projeto Mãos no Pano. Iniciamos falando da moda através dos tempos, do espartilho à busca da liberdade de não precisar usar sutiã em Woodstok. A moda como forma de comunicação. Surfistas, roqueiros, sertanejos, emos, góticos e tantos outros grupos que identificamos na sociedade. Quem viabiliza a confecção dessa diversidade utilizando a linha, agulha e tecido como ferramenta para demonstrar o que se quer falar sem utilizar palavras são as costureiras e costureiros.

É o seu mundo interno se comunicando com o externo!Para falar a língua das costureiras, oferecemos linha e agulha para os jovens. Esta vivência trouxe os seguintes comentários:
“Costurar foi da hora e costurar com alguém foi muito bom, porque é um momento em que a gente se reconecta com o outro.”
“Conectividade com alguém é sempre bom e uns ajudaram os outros.”
“A atividade de costurar acalma e é terapêutica.”
“Cada um colocou um pouco de si e construímos muito juntos.”
No começo o que precisa é tentar. A segunda vez que se faz algo é mais fácil que a primeira, por isso foi bom o exercício da aula passada. Através do trabalho demonstramos nosso afeto e carinho!
Unimos as costuras e montamos uma moldura para oferecer às costureiras do projeto. Fomos recebidos pela Rose e suas artesãs em uma roda de conversa. Fiamos uma conversa que costurou nos nossos corações com o seguinte conteúdo: a beleza que é aprender sempre; valorizar as conquistas; ter orgulho do que faz; compartilhar no grupo as conquistas e tristezas; ser apoio; receber apoio; fazer com amor; conquistar; confiar.
Foi uma grande experiência, não apenas passar os olhos em mais um projeto, mas vivenciar, sentir, conhecer os humanos por de trás dos panos para enxergar com lente de aumento os oásis que podemos pertencer, quando nos propomos a trabalhar e a estar com o outro.










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