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  • Tiãozinho Safrater

Cuidar da saúde mental é um ato de amor

Principalmente crianças e adolescentes, para não se envolverem em questões ainda desnecessárias para sua idade

Empatia, amor e coletivo. São ações necessárias para que as pessoas consigam atravessar as dificuldades da vida com mais leveza. O isolamento social provocou mudanças na rotina de todos, trazendo consigo uma enxurrada de sentimentos como solidão, medos, perdas, incertezas, etc. Agora, mais do que nunca, é importante ressaltar o valor de saber ouvir e cuidar, tanto de si quanto do próximo.


Para isso, convidamos a dra. Laura Camara Lima, psicóloga e professora do Instituto Saúde e Sociedade da Unifesp, para um bate-papo sobre comportamento, saúde e bem-estar em época de pandemia. Confira:


Em tempos de isolamento social, ficamos vulneráveis ao “bombardeio” de notícias, como isso afeta a nossa saúde mental?

Quando surgiu a ameaça de Covid-19, em escala mundial, os seres humanos ficaram expostos a um fenômeno desconhecido que nem os médicos e especialistas sabiam como lidar. O medo social ajudou a propagar rumores e teorias, que são explicações que as pessoas criam por estarem fora do controle.

Algumas pessoas não acreditavam na pandemia. Cada uma se viu isolada em uma situação inusitada e esse sentimento perturbou o equilíbrio da mente e saúde. Perdemos a noção de espaço e tempo pela falta de convívio com o outro e todo mundo começou a buscar por notícias para tentar entender o que de fato estava acontecendo. Isso gerou um trauma emocional muito grande, desencadeando um sistema de luta e fuga – que é quando a adrenalina sobe e ficamos sobressaltados e desconfiados.


O que podemos fazer para manter a mente tranquila em momentos mais desafiadores?

Hoje, já temos muito mais informações do que tínhamos no começo. A ciência respondeu muito rápido e todas as especialidades trabalharam para estudar a Covid e entender melhor. Houve muito progresso e aprendemos a rotina de cuidado e procedimentos adequados, o que ajuda a manter a mente mais positiva, mas o medo ainda é muito real.


De que forma o conteúdo que absorvemos nas redes sociais impacta nossas ações e emocional no dia a dia?

Os grupos de redes sociais formam um conglomerado humano que denominamos de fenômenos da massa. As pessoas em massa seguem líderes, como youtuber, famosos, cantores, atores, etc. Essas pessoas são idealizadas e a massa imita sem pensar.


Quando está em comportamento de massa, a pessoa perde autocrítica e o senso de responsabilidade. Num grupo pequeno, ela teria capacidade de racionar, mas em massa não, é amor ou ódio.


As redes sociais dão abertura para que comentários sejam feitos sem qualquer responsabilidade. A pessoa escreve aquilo que provavelmente não teria coragem de falar pessoalmente, perdendo a compostura social.


Como praticar a empatia para entender as diferentes opiniões e realidades hoje em dia?

A pessoa não consegue exercer empatia quando está insegura. Os jovens ainda estão em fase de construção e a pandemia cria o alerta de risco para o mercado de trabalho, carreira e ideias, gerando uma situação vulnerável. A identidade está passando por mudanças e o isolamento social não é o ideal para o processo.


A chave é caprichar na autoestima e segurança. É importante buscar se sentir melhor consigo mesmo antes de partir para o contato com outro, caso contrário, fica suscetível ao ataque do outro.


Qual a importância do senso de “coletivo” atualmente?

Infelizmente, o coletivo está desaparecendo. Atualmente, temos as massas, mas é diferente do coletivo. O coletivo é nobre e consiste em um grupo realizando trabalhos coletivos. Existe a valorização do individual e das diferenças, não existe um líder e uma palavra de ordem como nas massas. No coletivo, todos estão em prol do que é bom para todos, reconhecendo as pessoas e as diferenças.


Como saber a hora de buscar ajuda profissional?

É ideal procurar ajuda profissional ao se sentir inseguro sobre si mesmo, ao ter pensamentos de desvalorização, muita negatividade e pensamento de acabar com a própria vida. Ninguém é fraco por pedir ajuda, pelo contrário.


Conversar com um profissional pode ajudar a organizar as ideias e a entender melhor o que está acontecendo. Pai, mãe e amigos sempre terão desejos em relação à pessoa, influenciando para fazer aquilo que pensa ser certo. Um profissional não tem uma expectativa formada em relação a pessoa, apenas espera ajudar.


Como filtrar os conteúdos que recebo para saber se é verídico?

É importante se informar através de fontes oficiais. Quer saber sobre a Covid, a busca deve ser feita no site da prefeitura, secretaria de saúde e conselhos médicos. Existem as fontes alternativas como grupos organizados com jornalistas e médicos que têm responsabilidade de responder para os grupos específicos. Hoje, infelizmente, até as mídias reproduzem conteúdos que não são verídicos, então é importante procurar por sites que verificam as informações.


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